Uma questão relevante, no entanto pouco focada, é a questão da família chefiada por mulheres. É um fenômeno que vem acontecendo com muita freqüência nestas últimas décadas que abarcam a sociedade contemporânea capitalista de corte neoliberal. Embora as causas apontem diferentes motivos pela freqüência deste fenômeno, como por exemplo: gravidez precoce, viuvez, separação, desemprego do cônjuge, relacionamentos extraconjugais, migração do chefe da família para os grandes centros urbanos em busca de emprego, enfim, importa observar as questões socioeconômicas que as permeiam. Esse fenômeno mostra a responsabilidade que estas mulheres vêm assumindo frente a suas famílias e sua importante função econômica na sociedade.
No que se refere ao emprego e sustentabilidade familiar, percebemos que as mulheres que possuem dependentes estão mais dispostas a abraçar o mercado de trabalho, independentemente de sua formação profissional ou da remuneração ofertada. Enquanto o homem, segundo Hirata e Humphrey (1989), leva mais tempo a procura de um emprego que seja mais próximo de sua profissão, inclusive dispensando certas oportunidades de trabalho. Percebemos que as famílias chefiadas por mulheres estão mais predispostas à vulnerabilidade social e econômica, pois é a mulher a única responsável pelo sustento da casa. A ausência no mercado de trabalho tem levado estas mulheres a recorrer aos serviços sociais para auxiliá-las na manutenção dos seus dependentes. Mas as responsabilidades não se restringem somente a nível econômico. Repousam sobre estas as responsabilidades pela educação, saúde, e qualidade de vida dos demais membros da família. Sendo assim, assumem dupla responsabilidade: a econômica, que antes pertencia ao homem, e o zelo familiar, função historicamente dispensada à mulher.
Roselene Conceição, Serviço Social 7° período.
Baseado no texto de Luiza Carvalho
Famílias chefiadas por mulheres
Serviço Social e Sociedade, 57- Cortez:1998
Baseado no texto de Luiza Carvalho
Famílias chefiadas por mulheres
Serviço Social e Sociedade, 57- Cortez:1998

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